O problema

O peso invisível da vida digital

A gente costuma pensar na internet como algo leve, que “flutua” em algum lugar. Mas cada mensagem, foto, vídeo ou pergunta para a inteligência artificial fica guardada e é processada em data centers. Esses galpões cheios de servidores ficam ligados 24 horas por dia e precisam de muita energia elétrica e água para não superaquecer.

Corredor de data center com servidores

Energia

415 TWh

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, 2025), os data centers do mundo consumiram cerca de 415 TWh de eletricidade em 2024. Até 2030, esse número deve mais que dobrar e chegar a 945 TWh por ano, puxado principalmente pela IA. É um pouco mais do que o Japão inteiro consome hoje.

No Brasil, os data centers já respondem por 1,7% do consumo de eletricidade do país. Um estudo da MIT Technology Review Brasil (2025) projeta que eles podem chegar a 3,9% até 2029, mais do que toda a iluminação pública nacional.

Água

½ litro

Pesquisadores da Universidade da Califórnia (Li et al., 2025) estimaram que um modelo de IA como o GPT-3 usa cerca de meio litro de água a cada 10 a 50 respostas. Eles projetam que, em 2027, a IA poderá retirar de 4,2 a 6,6 bilhões de m³ de água no mundo, mais do que toda a água retirada em um ano por quatro a seis países do tamanho da Dinamarca.

Torres de resfriamento liberando vapor

O problema também está perto de nós

16 milhões de m³ de água por ano em São Paulo

Um estudo publicado em 2026 na revista Cambridge Prisms: Water (Liang, 2026) calculou que um conjunto de data centers de IA na região metropolitana de São Paulo tem uma pegada hídrica de cerca de 16 milhões de m³ de água por ano. Isso inclui a água usada para resfriar os servidores e a usada para gerar a energia que eles consomem. É água suficiente para abastecer cerca de 100 mil casas durante um ano.

Streaming e videochamadas

Até 96% menos impacto com uma câmera desligada

Uma pesquisa de Yale, Purdue e MIT (Obringer et al., 2021) mostrou que uma hora de streaming ou videochamada emite de 150 a 1.000 g de CO₂ e usa de 2 a 12 litros de água. A mesma pesquisa traz a boa notícia: assistir em definição padrão em vez de HD reduz esse impacto em 86%, e desligar a câmera em reuniões on-line reduz em 96%.

O problema não é a tecnologia, é o desperdício

Multiplicado por bilhões, vira um peso real

Um e-mail esquecido ou um vídeo rodando de fundo parecem não fazer diferença. Multiplicados por bilhões de pessoas, todos os dias, viram um peso real para o planeta.

A mudança está em nossas mãos.

Você não precisa se desconectar, só usar a tecnologia com propósito. Comece hoje: escolha um hábito da página Dicas Práticas, como baixar a qualidade do vídeo no celular, apagar fotos repetidas ou fazer perguntas mais claras para a IA, e coloque em prática. Depois, compartilhe com sua família e seus amigos.

Pequenas atitudes de muitas pessoas geram um grande impacto.

Faça parte do movimento Consumo Digital Consciente.

Referências

  • IEA – INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Energy and AI. Paris: IEA, 2025.
  • LI, P.; YANG, J.; ISLAM, M. A.; REN, S. Making AI less “thirsty”: uncovering and addressing the secret water footprint of AI models. arXiv, 2304.03271, 2025. Disponível em: arxiv.org/abs/2304.03271.
  • LIANG, G. The cloud’s thirst: quantifying AI’s water footprint and its impact on the water-energy nexus in São Paulo, Brazil. Cambridge Prisms: Water, 2026. DOI: 10.1017/wat.2026.10020.
  • MIT TECHNOLOGY REVIEW BRASIL. Estudo sobre o consumo de energia dos data centers no Brasil, 2025. Divulgado por Exame, 1 dez. 2025.
  • OBRINGER, R. et al. The overlooked environmental footprint of increasing Internet use. Resources, Conservation and Recycling, v. 167, 2021.